Se o primeiro dia da 1ª Flibic foi marcado pela emoção da abertura, o segundo dia consolidou o evento como um espaço de afeto, imaginação e salvaguarda da identidade regional. Nesta sexta (22), a feira pulsou em várias frequências. O riso solto das crianças reverberou como pano de fundo nos importantes debates sobre a soberania cultural do país.
O grande momento do dia foi a energia infantil das meninas e meninos que lotaram a Flibrincante, espaço totalmente pensado para eles. As crianças mergulharam em brincadeiras populares, dinâmicas interativas e sessões de contação de histórias que despertaram e reforçaram o encantamento e o amor pela leitura desde a primeira infância.
Literatura em movimento
A democratização do acesso ao livro ganhou mais com a presença da BIBEX e do Projeto “Leve e Leia”, iniciativas da Fundação Pedro Calmon, além do importante reforço da biblioteca móvel Carolina Maria de Jesus, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e
Comunidades Tradicionais. Juntas, as estruturas itinerantes aproximaram o público de acervos ricos e diversos.
A manhã também revelou o potencial criativo da juventude local. O auditório do CETI-Ibicoara transformou-se em uma sala de cinema, exibindo produções audiovisuais realizadas pelos próprios estudantes da rede de ensino. Telas iluminadas com o olhar local sobre a realidade, a Chapada Diamantina e suas próprias vivências.
A força das escolas e a homenagem à tradição
No turno vespertino, as escolas municipais evocaram protagonismo e pertencimento. Embora todas as apresentações tenham sido especiais, duas exibições foram destaque. “Seu Lero é Tradição” (Escola Municipal Alberto Santos Dumont) fez uma belíssima alusão ao grande homenageado da feira, Seu Lero, resgatando sua importância para a memória e cultura oral de Ibicoara.
Já “Vozes de Mulheres: A força da Oralidade na Literatura Brasileira” (Escola Nelson Aguiar) foi uma apresentação que dialogou diretamente com o tema central da feira, destacando o papel feminino na transmissão de saberes e na construção literária nacional através do canto e da palavra falada.
Reflexões e musicalidade ancestral
A tarde também guardou espaço para o pensamento crítico e a formulação de caminhos para a cultura e a arte no Brasil. A mesa “Narrar para Existir: Memória, Ancestralidade e Soberania Cultural” trouxe a ex-presidente da Funarte, Maria Marighella, que propôs reflexões urgentes sobre o papel da arte, das políticas públicas e da preservação da ancestralidade no Brasil, na Bahia e, de forma muito especial, na riqueza territorial da Chapada Diamantina.
Com o ritmo da nossa terra, o público vivenciou a contação de histórias musicadas “Mameto Samba”, conduzida por Gabi Sementeira e Rick Carvalho, que uniu melodia, ancestralidade e oralidade em uma performance inesquecível. O dia foi complementado ainda por lançamentos de livros de autores regionais e rodas de conversa que mantiveram o fluxo de ideias ativo até o anoitecer.
A noite cultural manteve o altíssimo nível com as apresentações femininas cheias de potência do Terno de Reis As Ciganinhas, Roda de Samba das Comadres e das cantoras Amanda Rosa e Tereza Raquel.
A FLIBIC continua provando, a cada atividade, que a literatura na Chapada Diamantina é feita de papel, sim, mas pulsa mesmo é na voz, no abraço e na memória que traça a identidade de sua gente.
E o sábado promete. Só vem.
FLIBIC — Feira Literária de Ibicoara O poder da oralidade encontra a literatura. Acompanhe a cobertura: @flibic


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