Debates sobre literatura indígena e ancestralidade marcam encerramento da 1ª Flibic na Chapada Diamantina

24.05.2026 | Noticia

Nem mesmo a chuva persistente foi capaz de esfriar o entusiasmo no último dia da 1ª Feira Literária de Ibicoara, neste sábado (23). O encerramento da primeira edição do evento consolidou uma travessia riquíssima de três dias de imersão cultural, provando que a tradição oral e a literatura escrita caminham juntas, sem hierarquias, na preservação da identidade de um povo, comunidade ou território.

O sábado começou cercado de expectativas e cumpriu a promessa de mergulhar fundo nas raízes mais profundas do Brasil: a nossa ancestralidade indígena.

Vozes da floresta e a busca pelas origens

O grande destaque da manhã foi a mesa “Vozes Ancestrais: A Literatura Indígena e Suas Narrativas Contemporâneas”, que reuniu o cacique Juvenal Payayá e o jovem escritor Állefi Pataxó, sob a mediação da coordenadora da Flibic, Lia Guanacé. Durante o debate, Lia compartilhou sua emocionante busca pessoal pelas origens de sua família, ressaltando que essa reconstrução de identidade, apesar de parecer uma travessia individual, é um movimento que pode – e deve – reverberar de forma coletiva.

As falas dos convidados trouxeram uma carga simbólica poderosa sobre a resistência dos povos originários diante dos desafios contemporâneos. Állefi Pataxó apresentou sua obra “Tapurumã e o Coração da Floresta”, um livro sensível e potente que aborda temas como natureza, pertencimento e o cuidado com a vida. Pautado no respeito absoluto aos mais velhos, o jovem escritor conectou seus saberes ao propósito central da feira: usar a literatura escrita como ferramenta para garantir a continuidade da memória daqueles que sempre transmitiram seus conhecimentos através da oralidade. Állefi participou ativamente de outros espaços do evento, mantendo a presença indígena no centro dos debates da Flibic.

A palavra como herança e o incentivo à leitura

A reflexão sobre a herança cultural continuou na mesa “Da pele ao papel: A palavra como herança ancestral”, conduzida por Aninha Torres e Gabi Sementeira. O encontro reforçou a síntese temática da feira, discutindo como as marcas da história se transformam em escrita e como a literatura serve de ponte para a preservação de saberes tradicionais.

Durante todo o sábado, a biblioteca itinerante da Fundação Pedro Calmon, a BIBEX, manteve suas atividades lúdicas e ações de incentivo à leitura, garantindo acesso democrático ao acervo para moradores e visitantes. A Flibrincante também seguiu a todo vapor, acolhendo as crianças em um espaço cheio de contação de histórias e brincadeiras que funcionou durante todo o dia.

Premiação, solidariedade e celebração da identidade

O palco da Flibic também foi cenário de reconhecimento e compromisso social no encerramento das atividades. Os grandes vencedores do concurso literário do festival foram anunciados e premiados sob aplausos do público. Paralelamente, o espírito de comunidade se fortaleceu com as ações de arrecadação do programa estadual Bahia Sem Fome, que mobilizou doações e solidariedade entre os participantes.

O encerramento da primeira FLIBIC deixa uma saudade precoce e certeza de que a literatura escrita e a tradição oral possuem o mesmo valor e a mesma urgência na manutenção das narrativas de cada território. Celebrando a força identitária da Chapada Diamantina, a feira encerra sua histórica primeira edição deixando marcas profundas nos corações de escritores, artistas, mestres populares e de toda a comunidade de Ibicoara.

Viva os traços marcantes da identidade da Chapada Diamantina! Vida longa à Flibic!

FLIBIC — Feira Literária de Ibicoara O poder da oralidade encontra a literatura. Acompanhe os registros desta edição: @flibic

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